Alunos do Objetivo conquistam vagas em universidades públicas por sistema de seleção para olímpicos


As grandes universidades brasileiras seguem um caminho sem volta. As vagas olímpicas oferecidas a alunos com reconhecido talento nas várias áreas do conhecimento chegam para prestar um grande serviço à educação.

Em 2019, a USP adotou mais uma forma de ingresso em seus cursos de graduação. Os estudantes que se destacaram em competições científicas concorreram a uma das 133 vagas, em 60 cursos, destinadas a alunos medalhistas em olimpíadas acadêmicas nacionais e internacionais.

“Há algum tempo o Brasil perde cérebros importantes para universidades americanas e de muitos outros países. As “vagas olímpicas” mostram um caminho diferente na seleção de alunos. Ao analisar o histórico de olimpíadas científicas do estudante, o sistema permite descobrir verdadeiras joias que o país estava e está perdendo para o exterior”, comenta o professor Ronaldo Fogo.

Enzo Serrano Barbosa, Guilhermo Cutrim Costa, Pedro Henrique Figueiredo Backes Costa e Roberto Marques Matheo, alunos do Colégio Objetivo Integrado, destaques em competições nacionais e internacionais, garantiram vagas nessa nova forma de ingresso na USP.

Para Enzo Serrano, aprovado em Engenharia Civil, é gratificante ver que universidades brasileiras estão reconhecendo a importância das olimpíadas científicas. “Estou muito feliz com a minha aprovação. Todo meu esforço foi recompensado. Para os alunos que têm vontade de competir, eu diria para se esforçarem e seguirem o que gostam, pois é essencial que estudem por prazer”.

Aprovado em Física, Pedro Henrique ressalta que a participação em uma olímpiada é inesquecível, pelo conhecimento adquirido. “Sempre me dediquei muito. Participei de competições, principalmente as de Física, que sempre foi minha matéria preferida, e hoje vejo que todo o esforço valeu a pena. Estou muito feliz com o resultado”.

Para Guilhermo Cutrim, aprovado em Engenharia da Computação, a medalha que mais contribuiu na convocação para a graduação na USP foi a de prata, conquistada na Olimpíada Internacional de Física (IPhO). “Sempre gostei muito de Física e essa aprovação é o resultado de quatro anos de estudos. É gratificante saber que meu amor pela Física culminou na medalha na IPhO e me abriu as portas na maior universidade do Brasil”.

Na USP, a seleção é feita de acordo com um sistema de pontuação que tem como base a medalha obtida pelo aluno na competição. Entre as competições aceitas, estão as olimpíadas nacionais e internacionais nas áreas de Matemática, Física, Biologia, Química, Astronomia, Informática e Robótica.

Unicamp

Em 2018, a Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) foi a primeira universidade brasileira a abrir processo seletivo para alunos que se destacaram em olimpíadas científicas.

A ex-aluna do Colégio Objetivo Integrado Mariana Bagni foi uma das contempladas. Quando estudava no Objetivo dedicou-se ao estudo de circuitos elétricos e estruturas que ajudam a dar forma a robôs. O esforço rendeu frutos: ela conquistou o 2.° lugar e o prêmio de “Melhor Programação” na RoboCup Junior, a Copa do Mundo de Robótica, no Canadá. Marina desenvolveu com colegas da escola robôs que tocam piano, lutam contra feixes de luz e dançam.

Com esse histórico, não precisou prestar vestibular na Unicamp e ingressou, em 2019, em Engenharia Elétrica. “A universidade é uma referência em diversas áreas. Não pensei duas vezes em participar desse novo processo de seleção”, afirma Mariana.

O professor Ronaldo Fogo, um dos responsáveis pela preparação dos alunos para as olimpíadas de Física, alerta que é necessário que também seja feito um complemento ao sistema de ingresso nas universidades por vagas olímpicas.

“É necessário oferecer programas de iniciação científica nos primeiros anos universitários. É importante que vocações sejam detectadas e apoiadas logo no início da carreira universitária. O Brasil não tem o direito de desperdiçar talentos. Parabéns para as universidades que enxergaram e estão corrigindo esse problema.”